Alimentação de Risco

Brasil consome cada vez mais comida ultra processada.

Por Maíra Bueno | 13/09/2016.

Pesquisas indicam que o Brasil é considerado o quarto país que mais consome fast food no mundo. Esse é um dado alarmante! O consumo de fast food é um dos motivos que têm contribuído para o aumento das chamadas doenças crônicas não transmissíveis no país, como obesidade, diabetes, pressão alta e problemas cardíacos, entre outras.

O problema do excesso de peso, em especial, reflete uma outra tendência, que é o aumento no consumo de uma alimentação industrializada ultra processada, pobre em nutrientes e rica em sal, açúcar e as chamadas gorduras saturadas.

Esse problema atinge as diversas classes sociais. Entre as classes pobres, o consumo de alimentos ultra processados é motivado pelo baixo valor econômico de determinados produtos. Nas classes média e alta, esse tipo de consumo alimentar é motivado sobretudo pela mídia.

Ou seja, temos substituído cada vez mais receitas e alimentos tradicionais por produtos industrializados. Isso acontece em nossas casas, nos eventos de confraternização, nos lanches das crianças, nos espaços de comercialização de alimentos.

Percebemos então que o consumo desses produtos está associado principalmente ao estilo de vida que adotamos. Nosso tempo, tão escasso hoje em dia, ou tem sido dedicado ao trabalho ou está voltado para o consumo em todas as suas possibilidades: mercadorias, informações, atividades de lazer e até “experiências de vida”.




O consumo de alimentos também faz parte dessa dinâmica. Consumimos alimentos industrializados o tempo todo, às vezes sem saber. Muitos profissionais da alimentação aderem ao uso desses produtos para facilitar o trabalho e economizar com mão de obra e ingredientes de qualidade.

Sabe aquele pão de queijo quentinho da padaria? O polvilho, leite, ovos e queijo se transformaram em uma mistura industrializada feita de gordura hidrogenada, leite em pó e aroma artificial pronta para assar.

Com isso, nos alimentamos de uma ideia de alimento e não propriamente do alimento.

Mesmo assim, o processamento industrial de alimentos é vendido como a grande solução para nossas vidas. Mas a industrialização da comida só faz sentido em situações adversas, como guerras, longas viagens e períodos de escassez de alimentos.

Fora dessas condições, a alimentação industrializada promove mal estar: doenças, dependência econômica, esvaziamento das tradições culinárias e empobrecimento da cultura.

Por isso, deveríamos ser mais criteriosos com a alimentação que temos reproduzido no dia-a-dia. A alimentação que adotamos repercute na vida que levamos.



 



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