Ativismo Alimentar

Jornalista utiliza canal no You Tube para fazer críticas e alertas com bom humor sobre a indústria alimentícia e o sistema alimentar.

Por Maíra Bueno | 09/02/2017

A jornalista Francine Lima ensina a ler rótulos, questiona políticas alimentares e apresenta alternativas à alimentação pronta no seu canal do You Tube, Do Campo à Mesa. Com isso, ela consegue comunicar ao público críticas e alertas sobre a indústria alimentícia e ao sistema alimentar, usando sempre como estratégia o bom humor. Nesta entrevista, Francine fala sobre as falhas na legislação de rotulagem, conflitos de interesses e claro, sobre a qualidade dos alimentos!


PA - Qual a repercussão do seu trabalho no ativismo alimentar?

FL – Eu comecei o canal em julho de 2013. Hoje o canal tem um pouco mais de 135 mil inscritos. Já são 126 vídeos. Desde lá, eu venho percebendo uma mudança de mentalidade, de comportamento em relação à escolha dos alimentos. É interessante! Toda hora recebo comentário de gente falando que mudou de hábito. Até a mídia eu acho que consegui influenciar, porque eu não ouvia ninguém falando de rótulos antes e de repente isso virou uma pauta a ponto de eu ser entrevistada pelo Jornal Nacional.


PA – Como foi participar do Jornal Nacional?

FL - Eles estavam mostrando que havia pessoas na internet ajudando a entender melhor o rótulo dos alimentos. Eles começavam a matéria perguntando às pessoas no supermercado o que elas liam do rótulo quando iam comprar um alimento. Muitas respondiam “ah, eu leio a data de validade”. E fizeram uma entrevista comigo, mostrando como eu fazia esse trabalho em casa, me filmaram fazendo um vídeo na cozinha. Eles também falaram com o pessoal do Fechando o zíper, um site e aplicativo que explica rótulos, avalia se o alimento vale a pena ou não. Eles dão nota para cada alimento analisado.


PA – A opção em usar o humor nos vídeos tem a ver com o fato de comunicar melhor as críticas ao sistema alimentar?

FL – Sim. As pessoas estão curtindo esse jeito de olhar para as pegadinhas do mercado. Elas estão, assim como eu, aprendendo a se divertir com isso. Pra mim é um tema divertido, por que eu tinha essa coisa de ir ao supermercado, ver uma pegadinha e dar risada sozinha, pensar “nossa, isso dá um vídeo ótimo!” E agora as pessoas estão rindo comigo, estão tendo raiva comigo, estão pegando o meu humor e eu acho que é importante ter essa postura, porque parte do meu objetivo com o canal é que as pessoas deixem de levar a sério o que antes elas achavam bacana e passem a tirar sarro mesmo. Quando você tira sarro, você vê criticamente.




PA – Você é jornalista e foi fazer mestrado em nutrição. O que você pesquisou durante o mestrado?

FL – Como eu sou jornalista, o que me interessa é a informação que chega para o consumidor. Eu queria avaliar isso, fazer uma análise crítica sobre o tipo de comunicação que o consumidor tem a serviço dele, em tese, para tomar suas decisões e fazer suas escolhas. Então a pesquisa de mestrado foi sobre rotulagem. Eu sabia que o rótulo estava cheio de problemas, que vinham de uma legislação falha. O rótulo conversa com o consumidor de um jeito errado. Há uma série de críticas para fazer à construção da própria legislação da rotulagem.


PA – E o que a pesquisa mostrou?

FL – Que o processo de construção da legislação atual de rotulagem deixou um monte de coisas para trás que não poderiam ter sido deixadas para trás. Quando eu terminei o mestrado, em agosto de 2014, eu levei a dissertação para a Anvisa e disse: “Anvisa, eu acabei de defender essa dissertação e acho que isso é útil para vocês.” A Anvisa me chamou para entrar em um grupo de discussão e consegui convencê-los a chamar uma pessoa do design da informação para dar uma palestra lá. E isso foi glorioso. Por que a partir do momento em que essa pessoa foi fazer a palestra e apresentou todas as evidências do design da informação – que até então a Anvisa ignorava, não tinha mais como a Anvisa negar que aquilo era imprescindível! A partir daquele momento a Anvisa nunca mais ia poder falar que não sabia que aquilo era importante.


PA - Mas a Anvisa não sabia mesmo dessa importância?

FL - Eu não sei, mas a partir do momento em que ela recebeu essa pessoa para falar sobre design da informação e isso entrou em uma ata de reunião, de um grupo oficialmente criado para debater a legislação com a finalidade de melhorá-la, ninguém mais ia poder dizer oficialmente que não sabia.


PA – Por que a legislação de rotulagem é falha? Por desconhecimento ou porque existem disputas políticas, econômicas, industriais, enfim, um conflito de interesses?

FL - Isso eu não consigo provar. Eu só consigo observar, estando ali dentro da Anvisa a partir daquele momento, ouvindo e lendo o que a indústria coloca, percebendo que ela está presente em todas as oportunidades possíveis em peso. Eu consigo perceber que a indústria não perde a oportunidade de colocar a opinião dela e que é sempre enviesada. Isso eu consigo notar porque eu testemunhei, mas eu não sei o que aconteceu quando a legislação atual foi criada. Eu sou testemunha do que acontece hoje, mas do que aconteceu antes não. Eu precisaria que uma testemunha do que aconteceu antes me relatasse tudo.


PA - E o que acontece hoje?

FL - O que acontece hoje é que temos esse grupo de rotulagem dentro da Anvisa que pela primeira vez incluiu uma jornalista. Até então só tinha nutricionista e indústria e eu falei para a pessoa da Anvisa que me convidou para participar: “você não pode abrir mão de jeito nenhum de ter gente da área de comunicação e do design nesse grupo porque vai continuar cometendo os mesmos erros! Porque rótulo é comunicação!”. E hoje o que está sendo discutido ali são pedaços do rótulo. Então no grupo tem o que a gente chama de dois times: o time da indústria e o time da saúde pública, que são as ONGs, as universidades e eu. O time da saúde pública defende a declaração de quantidade de açúcar livre e a lista de ingredientes integrada, que deveria ser considerada como parte da informação nutricional. Mas a indústria não quer fazer isso.


PA – Como vocês resolvem isso?

FL - Quando a gente fala que tem que rotular açúcar livre, a indústria entrega um material escrito dizendo que segundo a OMS não existem evidências de que o açúcar tenha alguma responsabilidade pela obesidade. Eles põem referências questionáveis para defender o argumento deles. De modo geral, eles não querem mudar absolutamente nada. Aí eles falam: “não, mas isso a gente vai resolver com educação alimentar!” Quantas discussões a gente já teve disso! O pessoal da saúde pública faz uma cara assim: “Ah não! De novo!” E a indústria lá, com aquela postura de que está falando uma coisa sensacional, falando que a educação é que vai resolver.


PA – Poderíamos dizer que o que você faz no seu canal do YouTube é educação alimentar, ao chamar a atenção para os rótulos e os ingredientes dos produtos industrializados?

FL - Sim, minha atuação com os vídeos tem vários objetivos. Um deles é mostrar que os rótulos são péssimos, que eles deveriam ajudar, mas, ao invés disso, eles atrapalham. Então eu digo: “saiba que isso é um problema, que o rótulo está a cargo da Anvisa, que a Anvisa está lá para fazer o trabalho dela e que nós como consumidores temos de cobrar que ela faça o melhor. Saiba que é preciso ler coisas que você não está lendo. Esquece a tabela nutricional! Passaram anos falando na televisão que era preciso ler a tabela nutricional, mas eu sei que ninguém entende! Então pare de ler isso! Leia a lista de ingrediente, que vai ser muito mais útil”. Toda hora eu falo da bendita lista para todo mundo saber que precisa ler. Meu lema é: não compre nada sem antes ler a lista de ingredientes.


PA – Mas o problema é o rótulo ou é o alimento?

FL – As duas coisas! Está cheio de alimentos ruins, de produtos que se passam por alimentos mas não são alimentos de verdade. Como é que as pessoas se dão conta disso? O rótulo é um dos instrumentos que a gente tem para as pessoas perceberem que certas coisas não são comida. Tem uma frase que está circulando por aí que é “descasque mais, desembale menos”. Se você vai comer comida que não tem embalagem, que vende na feira e vem com a casca, você não precisa se preocupar. Não precisa tentar desvendar porque você já sabe o que é. Só que a gente não consegue abrir mão cem por cento da comida industrializada. A maior parte da população do Brasil hoje mora na zona urbana, não dá para todo mundo plantar o que come, e algumas coisas a gente vai precisar delegar para a indústria. O que a gente precisa saber é o que vale a pena delegar para a indústria e o que não vale a pena. E nessa seleção o rótulo é muito importante! Com o rótulo eu consigo distinguir dentro de uma mesma categoria de produtos um chocolate artesanal de um chocolate imitação ou um bolo artesanal de um bolo imitação. Quando eu leio a lista de ingredientes, só pelo tamanho dela eu já consigo perceber que existe uma grande diferença entre os produtos. Então o rótulo é muito importante nessa função!


PA - Como o rótulo é construído?

FL - Do que eu consegui resgatar da história de criação da legislação de rotulagem da Anvisa – que não é muito porque não está amplamente documentado – é que algumas portarias, quando são editadas, rapidamente são alteradas devido às instâncias de interesses que falam que “não está bom”. A discussão sobre a tabela nutricional baseada na porção de 100 gramas versus a tabela baseada na porção indicada para consumo, por exemplo, já aconteceu algumas vezes e hoje está sendo debatida novamente no grupo de rotulagem da Anvisa. Tem um pessoal que defende que seja por 100 gramas porque fica mais fácil de comparar e padronizar o tamanho da porção para todos os produtos. Já chegaram a publicar uma portaria que estabelecia os 100 gramas, mas aí mudou em seguida. Então algumas coisas já foram feitas do jeito que eu considero certo e mudaram para o jeito errado.


PA – Tem algum outro exemplo que mostra como a legislação é construída?

FL – A legislação de 1978, por exemplo, exigia que, para o pão poder ser chamado de integral, tinha que ter 50% de farinha integral. Mas em 2005, quando a legislação já estava a cargo da Anvisa, essa norma foi derrubada e simplesmente a legislação ficou sem norma alguma com relação a essa exigência. Eu fiz um vídeo sobre o pão e entrevistei a Antônia Aquino, gerente de produtos da Anvisa. E perguntei o que tinha acontecido, ou seja, por que a Anvisa tinha derrubado essa norma em 2005. Ela respondeu: “ah, porque nesse momento a prioridade era outra”. Mas já estava pronta a norma! Porque precisava derrubar?! Era só manter! Então essa explicação não basta. Se já tinham pensado nisso antes, não dá para dizer que hoje estamos sem a norma porque ninguém pensou que precisava ter uma exigência mínima de quantidade de farinha integral. Claro que pensaram! Só que alguém falou: “não, isso está atrapalhando a gente, tira!” E tiraram!


PA – Quem tirou a norma?

FL – Não sei. Eu não consegui levantar a história inteira neste caso, mas tem algumas pistas que indicam como a coisa é feita. No caso do chocolate, por exemplo, eu consegui achar a consulta pública sobre a mudança do percentual mínimo do cacau no chocolate. A indústria que estava presente na consulta pública solicitou a redução de 32% para 25%. Eu perguntei na mesma entrevista para a Antônia por que diminuíram o percentual de cacau. Ela respondeu: “ah, porque isso veio lá de fora, veio do Codex, já tinha mudado lá no Codex”. Provavelmente os grandes compradores de cacau acharam que não estava dando para manter 32% porque estava caro e negociaram para baixar para 25%. O Codex aprovou e aí a Anvisa aprovou também! Então é isso! É assim que a legislação vai mudando.

[Codex Alimentarium é um programa conjunto da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que foi criado em 1963 com o objetivo de estabelecer normas internacionais na área de alimentos. O Codex define, por exemplo, quais são os aditivos alimentares permitidos, a rotulagem dos alimentos e até os limites de resíduos de pesticidas nos alimentos. As normas e diretrizes do Codex são de aplicação voluntária pelos países membros que aderiram ao programa. Mas como as Nações Unidas recomendam que os governos adotem o Codex, esse documento acaba sendo utilizado como referência para a legislação nacional dos países. Em especial, os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) são incentivados a harmonizar suas legislações nacionais com as normas internacionais. Essas normas podem ser usadas como referência para a dissolução de controvérsias em disputas do comércio de alimentos.]


PA - A Anvisa precisa seguir necessariamente o Codex?

FL – Eu não sei essa questão a fundo. Mas o Brasil é signatário do Codex – e da Organização Mundial do Comércio também, onde o Codex tem grande atuação. Depois tem o Mercosul, que é outro capítulo que interfere na rotulagem. As normas de rotulagem no Brasil têm que ser iguais em todos os países membros do Mercosul. Isso é trabalho para caramba! Então nós estamos percebendo um monte de coisas no Brasil que queremos mudar, mas temos que esperar o Mercosul aprovar também.


PA - O que está sendo debatido sobre o rótulo dentro da Anvisa neste momento?

FL – Ainda não saiu uma proposta oficial da Anvisa, mas o que nós avançamos nas reuniões de rotulagem foram a questão da rotulagem nutricional separada do resto e a questão da legibilidade. Eu entendo que é muito ruim mudar só a rotulagem nutricional. Por que não muda tudo?! A lista de ingredientes, por exemplo, está separada da tabela nutricional! Tamanho de letra, cor de letra, tipo de fonte, todos os contrastes, a posição das informações em relação umas das outras, as proporções. Isso tudo isso deveria mudar ao mesmo tempo! O rótulo tem que ser entendido de uma forma global. É preciso garantir um determinado espaço para mostrar as informações pertinentes! Mas indústria fala que “não cabe!” Oras, não cabe porque a indústria tem a liberdade para colocar o nome da marca do tamanho que quiser e espremer o resto! Mas se há uma regra para isso, se existe uma norma de que 70% do espaço do rótulo tem que ser informação útil, aí a coisa muda!


PA – Como o rótulo é escrito hoje, afinal?

FL - Se você pegar uma lata de batata chips, por exemplo, tem um monte de coisas escritas na etiqueta colada em volta da lata. A informação nutricional está na tabela. Tem uma outra parte que é a informação suplementar. É a mesma informação, só que lá está escrito apenas o que o desenvolvedor do produto considera o mais importante. É uma coisa quase que inútil porque ela diz a mesma coisa que já foi dita na tabela. Todo o resto é de fato todo o resto que está escrito no rótulo. Tem a lista de ingredientes que também inclui informações sobre o fabricante, o endereço, etc., e depois tem o “T” que informa que o produto contém transgênico. E tem a própria descrição nominal do produto, que é a base de batata e é até uma palavra que nem vem do português. A batata contém milho e soja geneticamente modificados. E mais embaixo está escrito “original”. Aliás, o uso de palavras como original, tradicional, artesanal, natural, também está sendo discutido, porque essas palavras são usadas para enganar.


PA – E quais são as transformações que o grupo de rotulagem tem defendido exatamente?

FL - Informação clara, apresentada de uma forma útil e que esteja na linguagem que o consumidor seja capaz de entender. Hoje na tabela nutricional, por exemplo, tem uma coluna com os valores diários, um percentual sobre o quanto a ciência da nutrição diz que cada um deveria consumir em um dia. Mas o consumidor não consegue fazer essa conta. Se o que tem no produto, por exemplo, são 6% das calorias diárias, então quanto que se pode comer ao longo do tempo de forma que não atrapalhe a saúde? Olha que conta difícil para fazer! O consumidor precisa de respostas prontas: ele quer saber se pode comer ou não! E ele precisa fazer muita conta para chegar nessa conclusão sozinho, isso quando ele para e pensa! O consumidor olha a data de validade e acha que essa informação é a coisa mais importante que precisa ler! Ele confunde a lista de ingredientes com a tabela nutricional, acha que é igual. E não é!


PA – Qual é a informação mais importante que está no rótulo para o consumidor?

FL - A lista de ingredientes, definitivamente!


PA – Mas na lista de ingredientes também há muitos nomes de substâncias que as pessoas sequer entendem: códigos, abreviações, nomes de aditivos, etc. É possível fazer uma lista de ingredientes de forma que as pessoas entendam a composição do produto?

FL – Claro! O que vai acontecer, na maior parte dos casos, é que essa lista vai ficar ainda maior. Hoje, por exemplo, algumas empresas utilizam o código INS com algum número para se referir aos corantes. Aí ninguém entende mesmo! Precisa ir na Internet fazer uma pesquisa para descobrir o que é o INS 235 – que é o que eu faço em alguns conteúdos que eu produzo. Uma proposta que a própria Anvisa já colocou nessas reuniões é que todas as substâncias que são açúcares sejam reunidas juntas entre parênteses, discriminadas como açúcar. Com isso, o açúcar iria aparecer mais no começo da lista. Teríamos uma noção melhor da proporção do açúcar, porque hoje os açúcares podem aparecer espalhados.


PA – Quanto menos informação clara para o consumidor o rótulo for obrigado a dar, é melhor para quem vende esse alimento?

FL – Sem dúvida! A minha sugestão é que essas informações fossem divididas por tipos de ingredientes. Por exemplo: identificar todos os aditivos juntos. O consumidor não precisa saber exatamente o que é um emulsificante, mas é importante que ele saiba que isso é um aditivo e que comidas com aditivos não são do tipo que se faz em casa.


PA - A indústria vai atrás de você por causa das críticas do seu canal? Pressiona você de alguma forma para parar de fazer os vídeos?

FL- Não. Nada. Eu não exponho marcas. E não estou fazendo nada de errado, quem está fazendo errado é a própria indústria! Existem os haters, não sei se eles tem algo a ver com isso, mas eles são minoria. Tem hater que me chama de comunista! Eu falo de legislação e de política pública e eles ficam com raiva, defendem que “consome quem quer”. Todas as vezes que eu falei de publicidade voltada para criança, 50% do meu público defendia a publicidade – e nem eram os haters! São pessoas que acreditam que a publicidade deve ser blindada mesmo.


PA - Com qual justificativa?

FL – Eles acreditam que a publicidade é liberdade de expressão e que as empresas têm o direito de vender o que elas quiserem. Que cabe apenas ao indivíduo decidir se deve consumir aquilo ou não. Não conseguem enxergar a função da política pública nesse controle. Tem gente que acha que política pública nem deveria existir! Defendem uma nação completamente neoliberal, onde o mercado resolve tudo sozinho. Eles não entendem o papel da regulação.


PA – O consumidor tem realmente uma possibilidade de escolha ou suas escolhas acabam sendo bem restritas diante dos próprios produtos que são ofertados?

FL - Eu acho que isso talvez mereça uma resposta diferente para cada lugar. Por exemplo: eu moro em Pinheiros, São Paulo. É muito fácil falar: “estou cheia de opção!” Mas eu sou privilegiada. Porque em São Paulo recebemos as novidades primeiro, tem feira orgânica, tem o Instituto Chão próximo de casa. Então eu tenho uma oferta variada de alimentos de qualidade, não necessariamente a preço baixo porque o lugar onde estou não tem nada barato. Mas eu tenho mais possibilidade de escolhas do que quem mora em outra cidade. Talvez em uma cidade do interior, em um estado menos favorecido de comércio, pode não haver feira de orgânicos e o supermercado local acaba oferecendo uma variedade menor de marcas. Então a escolha individual é pré-determinada pelo ambiente, o consumidor vai poder comprar o que está perto dele. Ele não tem como ficar viajando para buscar comida que não tem na cidade onde ele mora!


Visite o canal Do campo à Mesa: www.youtube.com/user/docampoamesa

 



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