Projeto Alimento entrevistou Leonardo Brant, diretor de COMER O QUÊ?

Leonardo Brant contou como foi o processo para filmar COMER O QUÊ?

Por Maíra Bueno | 10/08/2016.


PA - Em que contexto você decidiu fazer o filme e websérie COMER O QUÊ?

LB - Eu sou um pesquisador cultural que virou filmmaker. Depois de 20 anos dedicado a pesquisar políticas e mercado cultural, atuar com consultoria, jornalismo e educação nesta área, resolvi retomar uma profissão que havia exercido bem no comecinho da carreira e que sempre me acompanhou, com maior ou menor intensidade, profissionalmente ou por diletantismo. Com o acesso às novas tecnologias conquistei uma autonomia muito grande para desenvolver e realizar meus projetos audiovisuais. E isso foi tomando uma proporção maior do que eu imaginava. Em 2014 resolvi sair de 80% das coisas que eu fazia para me dedicar a fazer filmes. COMER O QUÊ? foi o primeiro de uma leva de documentários realizados nessa época. Minha ideia é utilizar a experiência no campo da pesquisa cultural para criar narrativas audiovisuais.

PA – Quais razões te levaram a filmar este assunto específico?

LB - Eu recebi um convite para uma concorrência sobre um filme sobre alimentação saudável. Tenho um envolvimento pessoal muito grande com este assunto, pois a alimentação foi responsável por um importante período de transição na minha vida. Me transformei muito a partir de novos hábitos alimentares. A minha mulher é atriz e havia abandonado uma rica trajetória como nutricionista, depois de se formar e fazer mestrado pela USP. Convidei-a para conduzir a pesquisa, escolher as personagens e me ajudar a definir os conteúdos e abordagens. Dessa forma, eu me apoderei muito do projeto e fiz uma proposta de criar uma abordagem autoral e que foi muito bem aceita pelos pessoal da Gaia, realizadores do projeto e da Alelo, patrocinador.

PA – Como foi feita a escolha dos personagens?

LB - A ideia original do filme era acompanhar o alimento da produção à mesa. E nossos convidados foram pensados para suprir toda a cadeia. O filme fluiu muito bem. Alguns convidados foram mais difíceis de encontrar, mas todos deram apoio muito grande ao projeto. No final, nossos personagens eram tão fortes e tinham tanto conteúdo que resolvemos remodelar o filme para dar centralidade aos personagens.

PA – E a repercussão de COMER O QUÊ, como tem sido?

LB - Surpreendente. O filme foi pensado para TV e o nosso desejo era licenciá-lo para a GNT, no espaço mais nobre quando o assunto é alimentação. Nosso sonho será realizado neste segundo semestre. Acabamos de fechar contrato com eles. Nós não havíamos pensado o circuito de festivais e exibição em salas de cinema, mas acabamos fazendo uma série de exibições desse tipo. As próximas serão no MIS, em São Paulo, dia 11 de agosto, numa ação beneficente para a Associação Prato Cheio. Faremos parte do SlowFestival, em Pirenópolis, em setembro. E depois da TV, vamos relançar a websérie, que já está disponibilizada mas sem qualquer divulgação que não a espontânea.

PA – Qual a sua relação com o comer?

LB - É muito forte. Em casa só comemos comida orgânica, com muito pouca carne. Eu e minha esposa Graziela fomos vegetarianos por um longo período e deixamos de ser com o nascimento da nossa filha. Nós cozinhamos em casa praticamente todos os dias e acompanhamos e participamos ativamente dos movimentos por alimentação saudável, ainda mais depois de ter feito o filme. Agora estamos filmando um documentário sobre aleitamento materno, que é muito mais do que o primeira alimento de uma pessoa.



 



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