ESPAÇOS DE COMERCIALIZAÇÃO

Espaços de Comercialização

Você sabe como funciona um supermercado?

Por Maíra Bueno | 22/09/2016.


Os supermercados tornaram-se um espaço privilegiado de comercialização de mercadorias. Em uma passada rápida, é possível comprar a carne da semana, o pão do café da manhã, o desinfetante que acabou até a panela nova para substituir a que quebrou. Mas você sabe o que está comprando? Sabe como funciona um supermercado?

Cerca de 80% dos produtos que são vendidos nos supermercados é formado por produtos comestíveis. Ou seja, ainda que esses espaços vendam outros produtos, são os alimentos que ocupam a maior parte das prateleiras.

A oferta de alimentos é tão grande e variada que ao fazermos as compras não refletimos sobre o que está sendo vendido. Afinal, se todos esses alimentos estão ali, supomos que é porque são bons, possuem qualidade e podem ser consumidos sem risco para a saúde, não é mesmo?!

Somos levados a pensar que se esses alimentos estão à venda no supermercado é porque foram devidamente fiscalizados pelos órgãos competentes e portanto, estão autorizados a serem consumidos. Acreditamos na responsabilidade da empresa que comercializa aqueles alimentos e damos credibilidade para as marcas que estampam os produtos.

O problema é que compramos movidos por valores que dizem respeito aos nossos gostos e percepções sobre alimentação. E não movidos pela dúvida sobre o que está sendo ofertado. Talvez, esses sejam os maiores erros que cometemos quando vamos às compras.

Provavelmente, essa é a chave que os supermercados utilizam para nos induzir a compras que não estavam previstas.



A posição do "pega", a "fita", o "espelho", todos os espaços dentro de um supermercado são devidamente pensados para promover a venda. Os produtos de maior valor estão sempre na altura dos olhos do consumidor para que ele seja induzido a comprar o mais caro. O amendoim é vendido ao lado das bebidas. O queijo ralado ao lado do macarrão e do molho de tomate. A pimenta, a farofa pronta e o carvão ficam próximos do açougue. Os coloridos das balas, chicletes e chocolates ficam na altura das crianças na fila do caixa.

A maneira como essas mercadorias são exibidas gera a chamada "compra compulsória". É uma estratégia de marketing que induz o consumidor a comprar aquilo que não precisa. A forma como o próprio supermercado se sustenta, contudo, é ainda mais sutil: leva o consumidor a pensar que precisa de todos aqueles alimentos só porque estão lá.

Mas não precisamos de sopas desidratadas, molhos engarrafados, biscoitos de gordura trans, bebidas de pó colorido. A indústria de alimentos parte do princípio de que todo alimento é saudável, desde que consumido de forma equilibrada. Ao mesmo tempo, defende que o consumo de alimentos não saudáveis é uma escolha individual, cabendo ao Estado a responsabilidade de educar a população sobre hábitos saudáveis.

E lá vamos nós ao supermercado achando que comer isso ou aquilo de vez em quando não faz mal e quando menos esperamos, o que era raro, tornou-se um hábito que é passado de geração em geração. O tempero industrializado tornou-se diário, as bebidas açucaradas não faltam na dispensa, os biscoitos viraram o lanchinho de todo dia.

Pra que fazer molho se já vem pronto? Pra que picar alho todo dia se existe um pote de alho triturado e temperado com sal que dura a semana, às vezes, o mês inteiro? A pipoca de micro-ondas é ótima, não suja panela. O iogurte já vem com a fruta picada, não teremos este trabalho. O achocolatado tem as vitaminas que seu filho precisa para ficar forte. O petit suisse vermelhinho bonitinho vale mais que um bifinho!

E assim vamos andando de corredor em corredor enchendo nossos carrinhos com produtos que dão espinha, sobrecarregam o coração, aumentam a pressão, entopem os intestinos. E que custam dinheiro! Muito dinheiro! No final, fazemos as compras como se tivéssemos que provar tudo que está sendo ofertado.



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