Operação Carne Fraca

Operação Carne Fraca

Por Maíra Bueno | 22/03/2017.


Será que a Operação Carne Fraca, envolvendo adulteração de alimentos e propinas, afetou a percepção dos brasileiros em relação ao que coloca no prato?! O escândalo veio à tona semana passada e caiu como uma bomba ao mostrar como carnes podres, impróprias para o consumo, estavam sendo manipuladas quimicamente para serem vendidas normalmente no mercado.

É difícil mensurar a repercussão do escândalo entre os consumidores no Brasil. Se o consumo de carne será problematizado, gerando uma crítica à cadeia da carne e uma adesão maciça às campanhas pela diminuição do seu consumo. Ou se os consumidores arrumarão novas estratégias para manter uma alimentação baseada no já contestado consumo excessivo de proteína animal.

A criação de animais para abate tem sido alvo de campanhas pelos direitos animais desde a década 1970. No Brasil, a libertação animal se depara, quem diria, com a conservação da Amazônia. A devastação da floresta está diretamente ligada ao consumo de carnes em geral. De um lado, a floresta dá lugar aos enormes campos de soja, direcionado para compor a ração desses animais em diversas partes do mundo. Do outro, sabe-se que grande parte das áreas desflorestadas são investidas com a criação de gado.

Se para os produtores de soja e os criadores de gado isso é um mercado lucrativo, para a população em geral essa cadeia se sustenta na ilusão de que a alimentação de hoje é mais reforçada do que das gerações anteriores justamente por conta do acesso irrestrito à proteína animal.








Mas disso resultam inúmeros problemas ambientais, desde a contaminação de solos e atmosfera com agrotóxicos e gás metano, o próprio aquecimento global, até a usurpação de direitos das populações locais – afetadas que são por esses empreendimentos.

Oras, a carne vem assumindo um papel central na alimentação do brasileiro sobretudo no que diz respeito a ascensão social. Comer carne tornou-se um atestado de que a vida econômica privada vai bem. E isso não passa de uma construção cultural. Do mesmo modo que associar o consumo de carne com a virilidade do homem e a salada com a fragilidade da mulher, como demonstraram diversos antropólogos ao longo dos anos.

Sabe aquela ideia de que o homem pré-histórico não teria evoluído caso não tivesse aderido ao consumo da carne? Esse é um outro argumento que tem sido recorrente para atestar a necessidade da carne em uma dieta balanceada em pleno século XXI, quando a maior parte da população mundial é sedentária e não caça mais nada! Mas isso nunca é lembrado, claro!

O excesso de carne no mercado banaliza o seu consumo. O animal se desanimaliza, vira mercadoria. E os consumidores se entopem com proteínas e gorduras que sobrecarregam o corpo. Por que o sanduíche de presunto no café da manhã, um bife no almoço, o salgado recheado com carne moída no lanche da tarde e um franguinho na janta não configuram exatamente uma dieta balanceada.

O consumo de carnes e embutidos todos os dias, de três a quatro vezes ao dia, definitivamente não torna a alimentação rica em elementos vitais para a saúde humana, apenas aumenta o risco de doenças cardiovasculares e acelera o processo de envelhecimento.

Ao que nos leva a questionar: depois de um abate, existe carne que não seja podre?!


 



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